Talvez pareça suspicioso alguém de humanas falar sobre finanças, mas eu queria compartilhar um pouco sobre minha relação com o dinheiro. Para, quem sabe, impedir que mais pessoas cometam o mesmo erro.

Eu comecei a trabalhar aos 17 anos de idade. Eu comecei a acumular meu patrimônio aos 27.

Enxerga a diferença?

Olhando para trás, não consigo entender o que se passava na minha cabeça para não guardar nenhum dinheiro. Mesmo morando na casa dos meus pais, sem nenhuma despesa como aluguel, alimentação ou transporte, eu acabava gastando todo o dinheiro como se não houvesse amanhã - seja em viagens, roupas, cursos, qualquer coisa.

Hoje eu penso que de nada vale alcançar voos mais altos, melhores oportunidades de carreira, e até mesmo gerar renda passiva, sem o conhecimento básico em educação financeira.

Mesmo que a sorte esteja ao seu favor, e você ganhe na loteria, você pode botar tudo a perder se você não olhar para esse aspecto da sua vida. Assim como cuidamos da nossa saúde e beleza, relacionamentos, vida profissional e todo o resto, temos que cuidar das nossas finanças.


1. Crédito é uma forma de empréstimo - e os juros não são nada baratos.

Consumista de carteirinha, sempre fui fã do cartão de crédito. Tão fã que me lembro do dia que o meu pai me fez cortar o cartão para parar de usar - na época não existia apple pay - Não que eu estivesse fazendo dívidas - mas sem aquele corte, provavelmente eu teria acumulado algumas delas.

A premissa mais básica do primo pobre é uma das mais sábias: se você não tem dinheiro, então não compre. O importante é guardar até juntar o suficiente para comprar. Se o dia da compra nunca chegar, então pode ser uma confirmação de que aquilo não é pra você - nesse momento - pois pode ser que você mude de realidade.

Paguei meu mestrado em diversas parcelas...

Conforme fui ficando mais velha, o peso da responsabilidade financeira aumentou. Eu havia começado o mestrado, e por ter entrado em segundo lugar, não consegui uma bolsa integral. Como era um sonho muito antigo, decidi começar mesmo assim, ao mesmo tempo que trabalhava em agência. Como apenas com o meu salário de agência na época não conseguiria pagar o curso, eu contei com o apoio dos meus pais que pagaram 50% do curso.

Eu sempre achei importante começar as coisas. Mesmo que elas não dessem certo no final, a experiência nunca poderia ser considerada um erro; olhar com a lente do aprendizado, como uma vivência que pode ajudar a gente a atravessar os próximos desafios com maior bagagem e sabedoria. Não fazer sempre me pareceu pior do que fazer e dar errado.

O que mudou? Eu sigo usando o cartão de crédito, porém com maior cautela e para coisas mais específicas como uma passagem aérea em promoção ou um ingresso para algum evento. Evito ao máximo colocar despesas de moradia, alimentação, estética e bem estar no cartão.

O mestrado foi uma dessas coisas que eu queria fazer, mas no final a experiência não foi tão gratificante quanto eu imagina. E é com esse mindset de "coisas que podem não dar certo" que eu compartilho meu segundo aprendizado:


2. Faça o dinheiro trabalhar por você: comece a poupar (e investir) hoje

Há alguns anos eu descobri pelo Youtube Me Poupe que é possível "fazer o dinheiro trabalhar por você". Quanto mais dinheiro você poupar, maior o será seu patrimônio e portanto, maiores os ganhos. Se você tiver um perfil mais arrojado e estiver disposto a arriscar mais, você pode ganhar ainda mais (ou perder, por isso tenha muita cautela e sempre peça ajuda para especialistas em finanças). Há opções para perfis mais conservadores como a renda fixa, CDBs, tesouro, essas coisas - provavelmente você encontrará diversas opções seguras no app do seu banco ou corretora.

Até hoje não entendo por que isso não é ensinado na escola. Eu sempre pensava que era um desperdício poupar, pois, na minha cabeça, a única forma de fazer mais dinheiro era ganhando mais.

Só que isso, está longe da verdade. Quem poupa mais (ou quem desperdiça menos) é quem ganha no final. É possível começar com menos de 50 reais, desde que você crie o hábito de poupar.

Ganhar mais não foi o que me empurrou a começar a investir. Em algum momento eu entendi que de nada adianta trabalhar se parte dos seus ganhos não forem investidos de volta em você.

Antes tarde do que mais tarde.

Poupar é uma forma de gerar renda passiva. Da mesma forma que algumas pessoas investem em imóveis para gerar aluguel, você pode investir em fundos, e gerar renda extra a partir disso. Quanto mais cedo você começar, maiores as chances de você atingir rendimentos interessantes - ao ponto de você conseguir antecipar a sua aposentadoria, por exemplo, ou em casos mais avançados, alcançar a sua liberdade financeira. Lembre-se:

Poupar é uma forma de gerar renda passiva e de realizar sonhos maiores.

O que mudou? Eu comecei a guardar mais dinheiro, na medida do possível ou conforme a minha realidade. Tem momentos que é possível guardar mais, outros menos - nunca consegui seguir um valor exato mês a mês. Mas criei esse hábito e hoje eu sei que mesmo que dê tudo errado, eu conseguiria me virar por pelo menos um ano sem precisar recorrer a ajuda de ninguém. Se pague primeiro e questione as suas escolhas sempre ("eu mereço" - será eu eu posso ou será que o meu eu do futuro não merece mais?)


3. Antes de escutar aos outros, escute a si mesma

Ouvir a própria intuição é muito importante. Talvez isso seja o mais importante de tudo - pois insistir em planos alheios geralmente só traz frustração. Não há por que não irmos atrás das nossas ambições. É possível ser atleta, professora, fotógrafa, programadora, escritora, vaidosa, investidora, consumista, várias coisas. O que não dá é deixar o tempo passar e não cuidar da gente, pensar nas nossas prioridades (o que é muito diferente de priorizar as vontades alheias).

Da próxima vez que você for ao dermatologista ou esteticista, pense se aquele botox não renderia mais em um investimento ou até mesmo em terapia. Talvez o maior aprendizado da minha educação financeira tenha sido investir em mim mesma, nas minhas finanças, intelecto ou bem estar.

O que mudou? Eu comecei a questionar as crenças alheias e a ser dona das minhas decisões. Fiquei levemente mais feliz e espiritualmente mais livre.

Algumas leituras interessantes (são leituras tranquilas e altamente recomendadas para quem, assim como eu, é da área de humanas):

  • A psicologia financeira: lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade - Morgan Housel.
  • A mente acima do dinheiro - Brad Klontz e Ted Klontz.